segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

[OFF CAST] NDDN

Hoje parei para ouvir o disco do Coruja BC1. Em novembro de 2017 ele lança seu segundo álbum três anos após o primeiro. Durante todo o ano Coruja veio citando esse disco que parecia estar pronto, porém vinha fazendo participações e lançando singles para aumentar a expectativa para este disco. Venho aqui então falar da primeira música que dá nome ao projeto, NDDN, No dia dos Nossos.

"No dia dos Nossos"

Hoje parei para ouvir o disco do Coruja BC1. Em novembro de 2017 ele lança seu segundo álbum, três anos após o primeiro. Durante todo o ano Coruja veio citando esse disco que parecia estar pronto, porém vinha fazendo participações e lançando singles para aumentar a expectativa para este disco. Venho aqui então falar da primeira música que dá nome ao projeto, NDDN, No dia dos Nossos.

Como toda obra, deve ser analisada dentro de seu contexto, porém como esta faixa foi lançada como single antes do lançamento do álbum, vou apresentar alguns pontos que me chamaram a atenção na música e no clipe que está abaixo.


Um pequeno parentese antes de expressar minhas observações, devo dizer que não analiso a obra, pois hoje foi o primeiro dia que ouvi, mesmo que em loop por um certo tempo.

Tendo dito isso, Coruja é apresentado no clipe sendo arrastado amarrado e vendado em uma cadeira, o beat começa apenas com uma melodia, que serve de sample, dando uma alusão de manicômio. Quando o bumbo e a caixa entram, é como um choque que o revive. Coruja ficou um tempo afastado do cenário e volta a cena oficialmente com este disco.

Seu rap começa atacando, ferozmente, o mundo, o sistema, as pessoas. No clipe as pessoas que o cercam estão vendadas, e quando ele começa os ataques chama a atenção e estas pessoas se aproximam para ouvir melhor o que ele tem a dizer, meio que confusas, pois de certa forma estes primeiros versos são desconexos. Na segunda estrofe, ele se apresenta e as pessoas cegas tentam o tatear para ter uma noção de quem é esse os fala. Nas duas ultimas estrofes antes do refrão ele começa a passar sua visão sobre a cena real do mundo, e como este mundo não concede as mesmas oportunidades para todos. "Quebra as perna do Messi para ver se ele dribla bem". Mesmo assim, ainda afirma que se o disco virar, ou seja, fizer sucesso, terá sobre si a responsabilidade de ser o exemplo para os que são de onde ele veio, e aguentar a crítica daqueles que são contra seu trabalho. (A vida é bem assim).

Ele volta do refrão com a ideia que fechou a primeira parte, ele tem que fazer tudo por conta própria, como diria Emicida, "Você é o único representante do seu sonho na Terra". Ninguém vai correr por ele, e se ele deixar os projetos nas mãos dos outros ele está perdido. Após isso as faixas caem, é como se ele passasse a real da sua própria vida para as pessoas se identificarem, dar o exemplo para que os outros a sua volta enxerguem.

No fim ele joga na cara o que pensa, aquilo o que todos temos uma noção subconsciente. O fato incrustado na cultura brasileira de que sofrer é bonito, submeter-se é o correto. Mas ele se vira contra esta ideia, não se importa com isso e liga o F-se para a regra do jogo. Como disse no início, esta é a primeira faixa de um disco de retomada de Coruja BC1. Ele se apresenta para o público e mercado, mostra a vida real, suas ideias e como pretende encarrar tudo isso.

Como diria Sant, "quem vive de boca é cantor, mas quem não canta surta". Coruja veio para cantar, e inicia seu disco mostrando que traz muita luz para abrir os olhos de quem não quer enxergar.


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